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Pesca&Dicas

ECOLOGIA
 
Os efeitos homem


   

 

El Ninõ, La Ninã, o buraco na camada de ozônio..... não são poucos os fenômenos que estão modificando a Natureza, mas o mais impressionante é que o próprio homem é o grande causador de tudo isso, como prova este mapeamento das dimensões do drama que passa o Meio Ambiente, em nosso País.

“Hoje estamos convivendo com a crise energética, do abastecimento de água e com as surpresas do clima que tem deixado cada vez mais fortes as inundações, os deslizamentos dos morros e as secas. Tudo isso diz respeito à questão ambiental, porque os recursos da Natureza que estamos utilizando – água, terra, madeira, energia – são finitos, sujeitos à escassez, se não administrados com sensatez e racionalidade. O que estamos vivendo é, na verdade, uma crise ambiental”.
E nós, pescadores, o que temos a ver com isto? Resposta óbvia: tudo. Afinal, esses recursos na Natureza são necessários para a manutenção de nosso esporte predileto e de seu astro principal, o peixe. Sem água, nem florestas, nem terras, do que eles viverão? Somos co-responsáveis por esta situação limite. Lembrando que, além de ser um recurso natural, o peixe é um ser vivo e indicador da destruição, que presenciamos e para a qual colaboramos indiretamente.

Os números da degradação.

Indicadores do Ibama e da Embratur dão conta de que uma média entre 40 e 60 mil pescadores freqüenta o Pantanal, todo ano. A grande maioria ainda cisma em levar para casa todos os peixes que captura. Apesar da cota, estima-se que a quantidade de peixe extraída daquele santuário por ano: de 600 a 900 mil quilos de peixes, fora os troféus.
Por que matar tanto? A um custo médio de R$ 2 mil, por viagem ao Pantanal, o pescador que traz peixes está simplesmente, pagando R$ 113, em média, por quilo de peixe transportado. Se for pelo argumento do “direito de comer o pescado”, o mais fácil seria pagar o quilo a R$ 10, em algum supermercado próximo de casa, em vez de comprometer as próximas pescarias. Isto, sem contar os peixes típicos da região comidos durante a viagem.
Em vez de mostrar “peixões” aos parentes, que tal tirar fotos e guardar as lembranças? Pelo simples raciocino matemático é bom lembrar que cada um é importante para a soma definitiva. Colaborando para que menos gente leve peixes se está contribuindo para amenizar o problema. Muitos têm deixado de ir ao Pantanal para procurar as novas fronteiras de pesca como a região do Amazonas, Pará e Roraima.
Será que os tamanhos dos peixes encontrados, hoje, no Pantanal ainda sugerem fortes emoções, como antigamente? Na verdade, a legislação ambiental sugere que os espécimes lá existentes só tenham medidas mínimas e, portanto, possam ser abatidos ao ultrapassar tal tamanho. Talvez seja hora de se estabelecer também uma medida máxima, para que os grandes peixões – verdadeiras matrizes de reprodução – continuem vivos e rendendo dividendos à Natureza aos pescadores, que pretendem duelar com eles.
Há exemplos de legislação, que estabelecem esse tipo de limite, em paises como os EUA, que deveriam ser copiadas. Falta, talvez, um aprofundamento em pesquisas sobre nossos peixes para que as medidas de tamanho sejam, racionalmente, fixadas por espécie.
E os peixes de água salgada que mal possuem medidas para abate! Nos EUA há congressistas defendendo os interesses do esporte da pesca. Entre suas preocupações estão, por exemplo, os grandes espinhéis no mar, os limites territoriais permitidos à pesca profissional, em mar aberto, as limitações por pescador e por espécie. Aqui, pesca-se de forma predatória, no quintal de nossas casas.
Nas praias, costões, manguezais e baías do litoral brasileiro, tudo é permissivo. Seja no arrasto ou com a rede de malha fina, com bomba – dinamite em tubos de PVC - e qualquer outro aparato. Uma boa medida seria arregimentar o contingente de pescadores amadores para uma fiscalização voluntária dos descasos. Seria uma excelente contribuição para qual poderiam ser aproveitadas as associações e federações de pesca espalhadas pelo país.

Gerar energia ou conservar ecossistemas?

O desmatamento nas encostas dos rios desprotege o solo e faz diminuir a profundidade dos leitos, o que provoca as inundações e a perda do volume de água em toda a bacia hidrográfica. O despejo de esgotos e de poluentes nos rios também causa o mesmo prejuízo. Tudo isso vai afetar a oferta de águas nos reservatórios, tanto para abastecimento quanto para a produção de energia elétrica.
A dúvida entre alterar o meio-ambiente, construindo novas usinas hidroelétricas, ou sofrer com a crise de energia poderia ter sido evitada, caso se tivesse dado, com antecedência, mais importância às questões ambientais.
É necessário pensar muito sobre todas as conseqüências de qualquer ato que se relacione ao meio ambiente. É óbvio que a hidroelétrica geraria empregos e energia, porém, com um custo, talvez, elevado demais. Sem energia o país entra em uma crise industrial, de serviços e, por que não dizer, generalizada. Ou seja, boa administração – ou falta dela – de nosso meio ambiente é responsável pelo desenvolvimento da própria economia do País.

Educação ambiental

E os peixes estão a reboque disto. Jogar nas águas cigarros linhas de náilon, garrafas de alumínio, entre outros elementos estranhos à Natureza, contribui para que elas se tornem poluídas e menos férteis, menos potáveis e com menor aproveitamento. A educação ambiental é essencial para que o pescador não seja o vilão da história. Ao contrário disso, cabe-lhe o papel de agir como defensor do meio ambiente que, logicamente, nos proporciona nosso lazer favorito: a prática do esporte da pesca.
Para se entender melhor os efeitos nefastos gerados pelas alterações desmedidas a meio ambiente, é preciso compreender também os processos de funcionamento deste sistema e o grau de crueldade do desmatamento.
Não interessa apenas saber que a crise energética é oriunda da seca e da falta de investimento em geração e transmissão de energia. É importante também saber de onde vem a água, que abastece as hidroelétricas e que problemas ocorrem neste trajeto.
Como exemplo, na região Sudeste: “O clima tem uma distribuição muito desigual das chuvas, que alcançam de 200 a 300 mm/mês, nos meses de verão, chegando em média a 20 mm/mês, no período mais seco do inverno. Isso significa que as chuvas de verão abastecem lençóis – água acumulada no solo – de forma a garantir a permanência de nossos rios, através do período seco, abastecendo lagos, açudes e barragens. A constituição geológica do Sudeste funciona como uma esponja, que recebe e acumula água no época de chuvas intensas e a libera gradativamente no período de seca. Para que este processo funcione bem, é essencial a abundante penetração das águas de verão no solo. A cobertura vegetal na superfície do solo é um fator determinante neste processo”.
“Quando a cobertura é florestal, a chuva molha primeiro a folhagem para, depois, ir lentamente chegando ao solo, penetrando gradativamente até atingir camadas mais profundas. O solo coberto com floresta garante maior permeabilidade, tornando-se capaz de absorver a água proveniente da chuvas torrenciais de verão. Já em solos desmatados, com baixa intensidade de cobertura vegetal, essas chuvas alcançam rapidamente o solo, e este, por ter menor permeabilidade à água, permite que o excesso comece a escorrer pela superfície, gerando erosão e arrastando partículas de solo para o leito dos rios, processo chamado de assoreamento. O desmatamento tem, como saldo, um abastecimento menor dos lençóis de água, ao mesmo tempo em que acentua as enchentes, pelo escorrimento superficial com acréscimo rápido de grandes volumes de águas aos leitos reduzidos pelo assoreamento”.
Como resposta ao problema, tendo em vista que 90% da Mata Atlântica foram extintas, sugere-se o reflorestamento com eucalipto ou pinus, espécies para a qual o Brasil tem tecnologia disponível, em compatibilidade com a atividade agropastoril. Ou seja, desenvolvimento sustentável, tal e qual se pleiteiam para a pesca amadora, com uma legislação voltada ao “pesque-e-solte”.

Indicadores da catástrofe
Além de o desmatamento estar impossibilitando a permanência da água em solo, as chuvas, que originam o ciclo hidrológico no planeta, estão diminuindo . O processo de evaporação das águas por meio do calor e o seu retorno ao solo – em forma de chuva e neve -, promove uma “reciclagem” da água em torno de 500 mil quilômetros cúbicos por ano, dos quais, só 9 mil são aproveitados para consumo e atividades agroindustriais. Hoje, essa quantidade é insuficiente para um mundo com 6 bilhões de habitantes. Estes são dados assustadores publicados pela Revista Galileu.
Apesar do Brasil contar com 12% de toda a água doce do Planeta Terra, quase 70% dessa água estão na Região Norte, habitada por apenas 18% da população brasileira. Se levarmos em conta que menos de 3% da água do mundo é doce, e que 70% dela estão nas geleiras e calotas polares, sobra irrisórios 0,75% para consumo do mundo todo. Diante disso, pode-se dizer que este é um “pobre país rico”.
Equacionar o problema de distribuição de água pelo país e aprender a não desperdiçar transformarão o Brasil em uma potência riquíssima, nos próximos 25 anos. Em breve, assistiremos à guerra por água potável em um mundo, onde – segundo dados da Unesco – 25 mil pessoas morrem, diariamente, em conseqüência de problemas gerados, direta ou indiretamente, por essa tragédia.
Resolver esta equação ajudará a salvar também nosso esporte, na medida em que o mercado de pesca brasileiro, que se concentra inteiramente nas regiões Sul e Sudeste do País, está sofrendo as conseqüências de ter de viajar cada vez para mais longe para encontrar águas e peixes.
Dados, como estes, mostram a importância vital da preservação das espécies, da água, das matas e dos rios de nosso País. Conservar a água significa evitar poluí-la, recolher todo o lixo produzido durante as pescarias – além dos encontrados no local, deixados por pescadores inconscientes -, não exagerar no extrativismo puro e simples e, se possível, conscientizar os mais próximos de que somos usuários da Natureza. A educação do pescador esportivo é, portanto, cada vez mais importante.
O esporte da pesca é um exemplo possível de desenvolvimento sustentável, por permitir uma interface entre Natureza e sua prática, sem agressão ao meio-ambiente. Gera empregos e garante a sobrevivência das comunidades de onde é bem explorada.
A Embratur e o Ibama têm implantado projetos de treinamentos de guias de pesca, orientados pelo Programa Nacional de Desenvolvimento da Pesca Amadora. Resta, porém, às autoridades conscientizar-se de que, sozinhos, os pescadores não conseguirão muito. É necessário que se revejam as legislações sobre o assunto e que a área de Desenvolvimento Sustentado do Ministério do Meio Ambiente volte seus olhos para estas possibilidades de apoiar o esporte, como solução para algumas áreas do País.
Decisões radicais, como proibir a morte de peixes no Pantanal, poderão ocorrer e os pescadores que só condicionam sua viagem ao freezer lotado de peixes, deixarão de viajar, causando desemprego e fechamento de empreendimentos. Ou seja, para evitar que se chegue aos limites do radicalismo, é importante que seja iniciada, já, uma campanha de esclarecimento aos pescadores de todo o País sobre os riscos que correm nossos ecossistemas.

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